Toque de Senzala reúne 400 pessoas no Teatro de Marília

 Publicado por Brunno Alexandre    11 de maio de 2017.

Nesta quarta-feira (10) foi realizada uma aula sobre a história e lendas dos orixás, acompanhado de cantigas e toques da cultura afro-brasileira no Teatro de Marília. O evento que reuniu 400 pessoas foi realizado pelo templo de umbanda Filhos do Cabloco Cobra Coral do Pai Maycon de Oxumarê.

Pai Maycon de Oxumarê do templo de umbanda Filhos do Cabloco Cobra Coral

Antes de tudo, a apresentação que durou quase três horas foi um culto ao diverso, a diversidade de ser, um mergulho na temporalidade, cheio de sotaques, bocas e dedos, para celebrar uma das religiões que precedem a existência. O que deveria ser mais um evento conseguiu ressignificar um espaço ortodoxo, elitizado e branco com negritude, quilombagem e esperança.

Foram apresentados parte dos orixás, como Iansã, Ogum e Oxossi. Antes dos filhos de Santo representar seus orixás através da dança, Pai Maycon teve a atenção de explicar parte das histórias e o universo de cada orixá, revelando costumes e a culinária preferida das entidades.

Filhos de santo foram convidados para subir ao palco no final do evento

Conforme Pai Maycon, a noite do “Toque de Senzala” foi apresentada por Oxum nos jogos de búzios. “A noite foi de Oxum, o orixá do amor, que previamente já tinha mostrado nos jogos de búzios que esse evento iria acontecer. Cada médium vestiu seu próprio orixá, fizemos a interpretação das danças e dos movimentos, igual acontece no barracão”, disse. “Os médiuns ali estavam fora do transe mediúnico, realmente tudo foi ensaiado, porém a energia era para mostrar como acontece lá dentro [no barracão], para mostrar para o público como nossa religião é realmente sentida”, explica Pai Maycon.

Durante a apresentação, Pai Maycon deu detalhes das religiões de matrizes africanas, explicando as diferenças e desenvolvimento da umbanda e do candomblé. “A intenção foi realmente mostrar as religiões de matrizes africanas, trazendo a culinária, as vestes, as danças e os fundamentos para o público não só da nossa religião, mas também para os leigos que acham que nós somos cultuadores de religiões do mal. A gente veio para mostrar o que é a cultura e tirar o estereótipo pregado pela sociedade”, explica.

Iemanjá adota Obaluaê depois de Nanã o abandona-lo

Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi a interpretação do abandono de Obaluaê por sua mãe, Nanã, e adotado por Iemanjá. A emoção do público foi sentida através das lágrimas e palmas após do ato. No fim da festa, foi oferendado para o público a comida de Oxum, omolocum, feito de feijão cozido, refogado com cebola, camarão e regado com azeite doce.

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Jornalista, estudante de ciências sociais e um bon vivant pobre.
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