‘Pernambulista’: O encontro do samba paulista e o dub

 Publicado por Rafel Iamonti    11 de novembro de 2019.


Lançando duas faixas remixadas de seu disco de estreia, Toinho Melodia, fala um pouco sobre a união do samba com o dub jamaicano. O compacto Pernambulista traz versões das músicas “Le Bolívia” e “Pretexto” feitas pelos produtores Buguinha Dub e Pedro Lobo.


Em seu primeiro álbum, Paulibucano, o cantor pernambucano radicado em São Paulo apresenta composições com uma ligação profunda com o Nordeste. “Eu costumo dizer que o Nordeste é muito rico em melodia, poesia, ritmos. Tanto é que meu disco tem a veia de nordestino mesmo, meu samba é todo misturado. Tem aquela mistura que é o meu cartão de visita”, conta Toinho Melodia.


A ideia de misturar o samba com a música jamaicana foi de seu produtor. “O André teve a ideia e eu falei: ‘vamo simbora’. Porque é o seguinte: já que não é para encher laje ‘vamo simbora’ na música e vamos adubar o samba”, relatou Toinho.

Toinho Melodia com o encarte da festa de lançamento de seu disco “Paulibucano” (Reprodução/Internet)


A mixagem da faixa “Le Bolívia” ficou por conta do produtor paulistano Pedro Lobo, que ficou muito contente com o convite. “Eu gosto de fazer versões dub de músicas que não são necessariamente reggae, acho que é um desafio maior e tem um resultado mais inesperado”, afirmou Lobo. ” Eu já meio que tenho uma coisa minha de ouvir certas músicas e imaginar uma versão dub”.

Pedro Lobo, produtor paulistano, mixou a faixa “Le Bolívia” (Reprodução/Internet)


Segundo Lobo, apesar de serem ritmos muito diferentes, o samba e o reggae tem muitas similaridades. “O surdo está sempre marcando no segundo tempo, assim como na bateria do reggae, então não foi muito complicado, foi mais instintivo mesmo”, relatou.


O pernambucano Buguinha Dub mixou a segunda faixa do compacto, “Pretexto”. “Quando eu recebi o convite já fiquei curioso por se tratar de uma personalidade de Pernambuco, Recife, que eu não conhecia”, afirmou Buguinha. “Fiquei chapado com a obra dele. À primeira vista aceitei fazer e foi um desafio, porque é sempre um desafio fazer um ritmo que foge do reggae”.


“O bom é que você consegue mostrar com a própria música outra forma de harmonizar ela. Você pega os timbres originais e dá outro tipo de harmonia. Você consegue trazer para outra atmosfera, a própria música”, conta o produtor pernambucano.

Produtor pernambucano, Buguinha Dub, mixou a faixa “Pretexto” do compacto Pernambulista (Reprodução/Internet)


As duas faixas do Pernambulista foram mixadas utilizando equipamentos analógicos, que tem toda a característica sonora dos anos 70 e 80. Para isso, os dois produtores utilizaram reverberadores de fitas analógicas, compressores e diversos efeitos que compõem a linguagem do dub. “Como eu chamo meus projetos: Adubado. A intenção é usar texturas e equipamentos analógicos, não só digitais”, afirma Buguinha.

De acordo com Pedro Lobo a mixagem com esse tipo de aparelhos torna o processo mais artístico. “Não é uma coisa tão computador, um trabalho meticuloso que vira meio cirúrgico. É mais um processo artístico mesmo, que você está ali, com todos os instrumentos ao alcance da sua mão, para você poder tirar e colocar efeitos”, relata Lobo.

Toinho Melodia no lançamento de seu disco “Paulibucano” (Reprodução/Internet)


“A princípio eu fiquei, o que que é dub. Então eu falei caramba, o que será isso”, conta Toinho Melodia. “Eu falando com o André [produtor de Toinho] ele me explicou que é adubado, então é o seguinte: Se é adubado vai dar fruto e eu gostei muito mesmo”.

“A música é mutante, é mudança. Nesse projeto é o seguinte, não mudou a melodia, isso é o mais importante, foi acrescentado. Aquela essência da melodia do Toinho não saiu, dá para identificar que ali está o meu samba, o meu xote, está lá o carimbo do Toinho Melodia”, finalizou o cantor.


Confira a entrevista na íntegra:

Rafel Iamonti
 
Repórter e estudante de Relações Internacionais
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