Silva: Do Clássico ao Pop

 Publicado por Filipe Touca    12 de junho de 2016.

Através da Virada Cultural, no dia 21 de maio, pela primeira vez na carreira Silva deixou as capitais e mergulhou para o interior de São Paulo, onde apresentou seu novo disco, o “Júpiter”, em Marília.

Em sua apresentação em Marília, foi possível notar um show de batidas eletrônicas marcantes contrapostas por sua voz suave e profunda. Por mais que no momento de seu show não havia uma concentração maior de pessoas, o público pouco a pouco entrou na vibe de seu som.

Silva ganhou espaço no cenário nacional após o lançamento de seu primeiro disco “Claridão” (2012), buscando articular elementos da MPB com batidas e instrumentos da música eletrônica pop. Dois anos depois, Silva chegou com seu segundo disco, mais amadurecido, o “Vista Pro Mar”. Porém, foi no ano passado que o músico consolidou sua estética sonora com “Júpiter”, terceiro disco que conta com as participações de Fernanda Takai, Clarice Falcão, Tiago Iorc e Lulu Santos.

Após o final da apresentação, Silva concedeu uma entrevista ao No Nosso Quintal e contou sobre sua carreira e a diferença de seus discos. Ele também falou sobre amor e as impressões de se apresentar no interior, particularmente, em Marília.

PING-PONG

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Silva tocou canções do novo álbum, o Júpiter, mas também relembrou outros sucessos da carreira  (Foto: Lucinéia Manfredinni)

NNQ: Você começou na música clássica, especificamente no violino. Como foi esse processo de sair  do erudito e fazer um som com elementos da música pop?

 SILVA: Então, para mim foi uma transição muito natural. Eu sempre fui muito observador. Minha família sempre foi muito conservadora, bem religiosa e bem voltada para a música clássica, o pacote completo. Mas a gente em casa sempre se permitiu mudar muito, então eu era o cara que tocava violino em orquestra, passei a compor as minhas músicas com 16, 17 anos, mesma idade em que passei a frequentar baladinhas de música eletrônica. Os amigos são muito importantes para a nossa formação musical também, pois você acaba ouvindo o que eles ouvem, então passei a ouvir música eletrônica e as novas bandas de rock da década de 90 como Gorillaz.

NNQ: Em seu último álbum é possível notar uma diferença entre os dois primeiros. Qual foi a mudança?

SILVA: O último álbum foi assim, eu sempre tive muita ligação com música experimental, música eletrônica experimental, aqueles gêneros obscuros eu adorava. Só que então, o Claridão (2012) foi um disco que eu fiz todo em um quarto, então ele é um disco tenso, ele é um disco alegre, só que ele tem um sentimento mais interno. Só que com o passar do tempo eu passei a querer fazer uma canção, sei lá, falar sobre o amor…no Claridão eu tinha 23, agora tenho 27…então, com 23 eu era um garoto, não tinha tomado tanto na cara ainda, acho que é uma questão de experiência. Hoje sou um cara que já tive vários relacionamentos, então isso contribui para poder falar de amor sem ter vergonha disso, por isso que Júpiter é um disco que fala de amor descaradamente.

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O capixaba, acostumado a tocar nas capitais brasileiras, afirmou estar impressionado com o interior (Foto: Lucinéia Manfredinni)

NNQ: Você já atingiu abrangência nacional e já realizou shows fora do país. Quais são os próximos passos do SILVA?

SILVA: Cara, eu não sei…eu acho que a gente tá em um mundo muito doido, a indústria musical não é mais a mesma coisa que era antes, então eu acho que as pessoas não podem mais tomar como garantido uma carreira tipo assim: “ahhh fiz uma música que saiu na novela então tá tudo bem, então agora não preciso mais trabalhar”.  Não, não é mais assim! Eu acho que estamos em um mundo que tem muita informação rolando, todo dia sai um disco legal de uma banda legal, então se você não trabalha as pessoas te esquecem, é sério, e eu acho que uma coisa que o lance é não ficar preguiçoso. É sentir prazer em fazer música.

NNQ: Qual foi a sensação de sua apresentação em Marília?

SILVA: Então, foi muito louco, porque a gente tem tocado muito em capital, e esse foi o primeiro show no interior de São Paulo. Quando a gente vem para o interior é diferente, porque dá para perceber que muita gente não conhece, mas ao mesmo tempo tão ali prestando atenção e querendo saber o que é isso. Então é algo que eu acho muito bonito de ver. Eu sou público e adoro ir em shows, então eu não vou ir parar para ver um show de alguém que não conheço. Eu admiro quando alguém para e vê meu show sem me conhecer.

Filipe Touca
 
Estudante de Ciências Sociais, cristão, esquerdista, colecionador de vinil e amante das artes - "Só existe dois gêneros de música: música boa e música ruim".
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