“Júpiter” (Silva) e uma Reflexão sobre Relacionamentos

 Publicado por Filipe Touca    18 de dezembro de 2016.

O maior planeta do sistema solar, planeta regente de seu signo no horóscopo chinês e a sinfonia de número 41 de Mozart. Bem, esses são os motivos que levaram deram o nome de “Júpiter” ao terceiro disco do cantor capixaba Silva. Trazendo uma nova abordagem e sonoridade diferente de seus dois primeiros discos, segundo o próprio cantor, traz uma reflexo do seu amadurecimento 3 anos após seu primeiro disco. Buscando refletir sobre o verbo “Amar” – talvez a palavra mais utilizada neste disco – Silva trabalha diversas perspectivas e visões sobre o que este verbo pode implicar em um relacionamento entre duas pessoas. Nesse sentido, o que “Júpiter” do Silva pode nos ensinar sobre relacionamento?

 

“Júpiter”, “Eu Sempre Quis” e “Feliz e Ponto”

“Eu quis tanto ter você
Quando você não me quis
E agora a gente é feliz e ponto
Com o amor se paga amor
E o ditado é quem diz
E a gente ama assim
Sem dar desconto”

“Júpiter”, “Eu Sempre Quis” e “Feliz e Ponto”, são canções que nos colocam a refletir sobre uma questão, todo relacionamento tem o momento certo, seja para começar ou para recomeçar. A primeira música da qual leva o nome do disco, nos ensina um pouco sobre a necessidade de compreender que o começo ou recomeço de um relacionamento muitas vezes pode não agradar pessoas a volta, mas que apesar disso se faz necessário tal união pela saúde dos dois.: “Júpiter pode ser começar de novo; Se por lá não houver esse mesmo povo; Que só quer controlar o que a gente quer; E o que a gente só quer (é amar)”.

Em “Eu Sempre Quis” é possível perceber um carácter de que apesar de o desejo por uma pessoa ser de longa data, é necessário um continuo processo de construção de um relacionamento, e que acima de tudo, deve ser construído por ambas as partes. Já em “Feliz e Ponto”, tem-se a reflexão de que se faz importante deixar as coisas acontecerem naturalmente, até se tornarem felizes e ponto, ou como a própria música diz “Deixa esse amor cadenciar, manso”. As vezes a pessoa pode não sentir o mesmo por você, mas não entre em desespero, deixe o tempo ao tempo.

 

“Sufoco” e “Se Ela Voltar”

“Desapego, Não desamor
Tem tanto jeito de cuidar de alguém
Se você sabe o que é amar
Nunca irá aprisionar ninguém
Melhor livre, E ser como for
Quem ama o outro não fará refém
Deixa partir quem já não quer ficar
Deixa chegar quem vai te fazer bem”

Já “Sufoco” e “Se Ela Voltar” são reflexões sobre uma questão muito delicada que envolve quando seu parceiro resolve partir. E necessário compreender que a pessoa tem a liberdade de mudança de sentimentos, isso não quer dizer que não posso haver conversa entre vocês, mas isso quer dizer que você deve respeitá-la e não aprisiona-la. Como o cantor diz em “Sufoco”: “O amor pra existir; Tem que respirar; Pra que tanto sufoco; Dê um tempo ao tempo”. Ou como retratado em “Se Ela Voltar”: “Se ela voltar; Vou dizer te amo; Se ela não voltar; Penso em outro plano”. E necessário refletir e pensar sobre o mito da demonstração de amor criada pelos romance e pelo cinema em que você deve perturbar a pessoa para dizer que você ama ela, e sim, compreender o espaço dela.

 

“Sou Desse Jeito” e “Marina”

“Não é do jeito que você pensou
Não é tão perfeito, é só como sou
Das coisas todas preferi o amor
Eu preferi o amor sei bem como sou”

Sua música “Sou Desse Jeito” e sua readaptação de “Marina” de Dorival Caymmi nos ensinam uma questão crucial em um relacionamento, ser você mesmo e amar a pessoa por quem ela é. “Um dia eu percebi; Que era meu jeito; Tão diferente assim; Do seu conceito; É o que existe em mim; Não é defeito!”. Essa estrofe nos ensina muito coisa. Ser você mesmo não é um defeito, uma pessoa não gostar de você, não faz de você inferior, não existe a necessidade de se adaptar ao conceito de alguma pessoa, isso é cansativo e exige muito de você. Já “Marina” de Caymmi dentro deste contexto, nos mostra a beleza de amar alguém por quem ela é: “Marina você já é bonita com que Deus lhe deu”.

“Deixa Eu Te Falar” e “Nas Horas”

“A gente faz tudo ser real
Você e eu noite a clarear
Há quem duvide do verbo amar
Eu já rezo o verbo todo”

Por fim, “Deixa Eu Te Falar” e “Nas Horas” nos trazem a beleza do amor. “Nada muda a escolha que eu fiz; No instante que eu te vi; De lá até aqui”, o refrão de “Deixa Eu Te Falar” nos mostra que sé possível amar por longo tempo, se é necessário entender e respeitar o outro que se vai, e necessário dizer também que o amor pode ser algo duradouro, e além disso, deve ser algo demonstrado e compartilhado cotidianamente. Na mesma perspectiva, mas de um modo diferente, “Nas Horas”, mostra a simplicidade e a magnitude do verbo amar.

Em seu próprio Instagram (@listentosilva), o cantor afirmou: “Nesse álbum, Júpiter representa apenas uma alegoria. Não é um lugar físico exatamente, mas uma forma de ver o mundo. Uma proposta e alternativa contra esses dias tão estranhos de hoje, em que ainda precisamos conviver com tanta mesmice representada por preconceito, intolerância e todo tipo de violência (…). Acredito que Júpiter consegue mostrar um pouco mais da minha atualidade e da minha personalidade. Eu realmente espero que a mensagem do disco faça sentido para você.”. Será que compreendemos a mensagem do disco? Pois bem, fez muito sentido para gente.

E você? teve alguma outra reflexão a a partir deste álbum? Deixe nos comentários.

Spotify (Álbum Completo): https://play.spotify.com/album/7BqdQdesXoceTMhwEfTOrj

Filipe Touca
 
Estudante de Ciências Sociais, cristão, esquerdista, colecionador de vinil e amante das artes - "Só existe dois gêneros de música: música boa e música ruim".
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