História de Pé de Veludo vira filma e será lançado no primeiro semestre

 Publicado por Brunno Alexandre    11 de janeiro de 2017.

História do mariliense “Pé de Veludo”, Guaracy Marques Pinto, morto em 1964, com 21 anos, está sendo filmada e vai virar um longa-metragem. O filme está sendo realizado pelo paulistano Marcelo Colaiacovo e Nilson Primitivo. Colaicovo está em Marília coletando relatos desde segunda-feira (9) um dos criminosos mais cultuados da história do Brasil.

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O inicio da fama de Pé de Veludo surgiu a partir dos inquéritos policiais, quando o criminoso ganhou destaque ao furtar 36 residências em menos de 15 dias em Marília. Pouco tempo depois, Pé de Veludo virou alvo das polícias Civil e Militar. Os depoimentos das ocorrências registradas eram curiosos, já que o criminoso conseguia furtar as casas com os moradores presentes. Inclusive, a ousadia era tamanha que Pé de Veludo costumava comer e até usar o banheiro das residências. Ele ainda deixava bilhetes para as vítimas, como “estava uma delícia”.
“Eu gosto muito da história por ela ser um mito. A polícia fala uma coisa. A população tem outra. E a imprensa conta uma versão diferente. E todo mundo tem uma história com o Pé de Veludo. As versões são contraditórias. Mas para o projeto do filme não interessa muito porque quando a história vira um mito. O interessante é não ter uma verdade absoluta”, explicou Colaiacovo.

Mulher visita o túmulo do Pé de Veludo, que é considerado santo; visitantes pedem graças (Foto: Paulo Cansini)

Muitos marilienses lembram de Pé de Veludo como uma espécie de “Robin Hood” tupiniquim. Já era lembrado pela generosidade. O criminoso fazia compras para famílias carentes, pagava balas e refrigerantes para as crianças. As atitudes emblemáticas causaram uma boa fama no rapaz, que continuou sendo generoso e na criminalidade.
O filme será assinado pela produtora independente “Resistência Filmes”, fundada em 2009. Colaiacovoa revelou que as filmagens estão ocorrendo em São Paulo e em Marília. As gravações iniciaram neste mês, quando parte do elenco foi selecionado.
Como o projeto é totalmente independente, o diretor e produtor Colaiacovoa está organizando um financiamento coletivo para finalizar o longa-metragem. “Eu tive experiência com editais culturais do Governo do Estado. O tempo para o desenvolvimento do projeto é de três à cinco anos. Nós precisávamos de urgência.
Em relação às contribuições, qualquer quantia é valida. Desde R$ 10 até 500 reais. Para empresários que queiram colaborar, também podemos ceder parte dos direitos do filme. A ideia era buscar R$ 60 mil, que é um valor baixo. Pela Agência Nacional de Cinema, um projeto de um longa -metragem custa no mínimo R$ 1,2 milhões”, afirmou o paulistano.

‘Temos que contar essa história com ou sem dinheiro’, diz diretor

Diretor e produtor do longa-metragem Pé de Veludo, Marcelo Colaiacovo, em entrevista na rádio Jovem Pan de Marília

‘Pé de Veludo’ teve uma morte polêmica, o que ocasionou muitas versões sobre o fato. Após a morte do delegado Ewerton Fleury Curado, executado com dois disparos por Alcyr, irmão do Pé de Veludo, em uma visita à casa dos criminosos.
O delegado Curado teria ido visitar à casa para interrogar Pé de Veludo, que estava sendo acusado de corrupção de menores (ele teria oferecido bebidas alcoólicas para menores de idade).
Pé de Veludo não estava na casa e o delegado descobriu um arsenal de armas escondido em um dos cômodos. Como reação, Alcyr matou o delegado. Quando a notícia foi divulgada, a polícia realizou um cerco na residência e, quando Pé de Veludo chegou na casa, iniciou o tiroteio.
Há relatos de 15 horas de tiroteio. Mesmo com a casa cercada, o criminoso ainda resistia. Até os policiais improvisarem uma bomba de cloro e atirar na residência. Pé de Veludo não resistiu e morreu em seguida.
“A história do Pé de Veludo é importantíssima no momento atual. Não estamos fazendo o filme para dar um veredito. Vamos falar sobre todas as partes. Mas o interessante é o lado lúdico. A história de um cara que entrava na casa das pessoas e depois da morte ter virado um santo dessa magnitude, com fiéis e placas de graça alcançadas”, finalizou.

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Jornalista, estudante de ciências sociais e um bon vivant pobre.
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