Faixa a Faixa: Frevo Mulher

 Publicado por Filipe Touca    11 de dezembro de 2019.

Lembro que eu estava numa loja de discos junto ao pessoal do Nosso Quintal, quando de repente, o Rafael virou e me disse: ‘esse disco é muito bom, você tem que levar’. Quando olhei o disco tava naquela velha sessão dos 10 reais, não exitei, e dei uma chance a opinião do amigo. Quando chego em casa, e coloco a bolacha pra rodar, foi só comoção através de comoção, uma seleção de músicas escolhidas dedo a dedo, e uma interpretação que deixa qualquer um de boca aberta, foi naquele instante, na primeira vez que ouvi aquele disco, que eu já tinha certeza que aquilo deveria ser item indispensável nas prateleiras dos colecionadores. Que disco era? Frevo Mulher da Amelinha.

Amelinha faz parte daquele grupo que ficou popularmente conhecido como ‘o pessoal do Ceará’. Ao lado de nomes como Belchior, Fagner e Ednardo, começou sua carreira de fato nos anos 70 em São Paulo. Teve seu primeiro disco, Flor da Paisagem, lançado em 1977, e seu segundo, Frevo Mulher, em 1978. Se enquanto seu primeiro disco lhe rendeu o título de cantora revelão da música brasileira, o seu segundo, já tinha se tornado disco de ouro, e se não bastasse isso, sua interpretação da música Foi Deus Que Fez Você de Zé Ramalho, rendeu segundo lugar no Festival de MPB da Rede Globo em 1980.

Amelinha e Zé Ramalho. (Fonte: Reprodução Internet)

Faixa a Faixa:

Frevo Mulher: Canção que dá o nome ao disco, como a maioria das pessoas sabem, de autoria de Zé Ramalho, não chama a atenção apenas pela música ter sido lançada anteriormente a versão do compositor, nem só pela musicalidade dançante que dá vontade até nos mais travados em dançarem. Mas no nome das pessoas que estão por de trás dos instrumentos da canção: Zé Ramalho (violão), Geraldo Azevedo (violão), Dominguinhos (sanfona) e Wilson das Neves (percussão).

Santa Tereza: Composição de Raimundo Fagner e Abel Silva, e com a presença do primeiro no violão, a interpretação da cantora é realmente incrível. A potência de sua voz chama muita atenção de quem está ouvindo pela primeira vez. O ritmo dançante permanece, menos acelerado que na canção anterior, mas jamais deixa parar.

Dia Branco: A canção começa com um solo de guitarra que chama muito atenção, uma melodia que ao mesmo tempo tem características interioranas do Cerá, mas que ao mesmo tempo remonta a musica pop da época. Aqui Amelinha mostra não só a força de sua voz, mas como mostra que a pode torna-la algo suave. A composição fica por conta de Geraldo Azevedo e Rocha, e além disso, temos Elba Ramalho no coro da canção.

A cantora brasileira segue realizando shows até hoje. (Fonte: Reprodução Internet)

Galope Razante: A outra música composta por Zé Ramalho do disco, contém em sua ficha técnica a presença de Bezerra da Silva no zabumba e de Catia de França no acordeon. Um melodia com a cara da música de Zé Ramalho, misturando a música cearense com um toque de rock inglês, que somados com a voz e interpretação de Amelinha, fazem com que a canção, na minha opinião, seja a melhor do disco. Já ia esquecendo, o solo de violão acompanhado pelo solo bocal, é simplesmente, incrível.

Divindade: A canção foge um pouco das demais faixas do disco, pois dessa vez, é de fato um rock, mas que ainda tem suas influências na música popular. A faixa de autoria de Walter Franco, tem em sua letra a cara de seu compositor, e que em nenhum momento, deixa de ser esquecido pelo interpretação da cantora. Além disso, o coro na canção é formado nada mais nada a menos que: Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Cátia de França e Walter Franco.

Que Me Venha Esse Homem: Abrindo o Lado B do disco, a composição de David Tygel e Bruna Lombardi, vem ressaltar a voz de Amelinha, mostrando toda a sua profundidade e vertibilidade sentimental. A canção se trata apenas de um violão e voz, mas em que nenhum momento te deixa no silêncio ou se quer, distraído.

Disco ‘Pessoal do Cerá’ que contém a presença de Amelinha, Ednardo e Belchior.
(Fonte: Reprodução Internet)

Coito das Araras: Foi uma surpresa mais do que grata para mim se deparar com essa música neste disco. Se eu já era apaixonado pela versão da compositora da canção, Cátia de França, aqui, confesso que fiquei completamente apaixonado. A canção acabava e eu voltava até o toca -disco e mexia na agulha para que voltasse para o início da canção. Uma melodia que levanta, que emociona, que te faz sentir bem.

Dez Mil Dias: Uma das músicas mais melódicas e tristes do disco, mostra toda a capacidade interpretativa de Amelinha na canção, acompanhando com fidelidade os arranjos, não deixa em nenhum momento sua voz escapar do seu a controle. A composição da cação fica por conta de Paulo Machado.

Noites de Cetim: Destaque nessa canção para o violão de Geraldo Azevedo e para a viola de Gereba, que acompanham suavemente a canção, que parecem não estar ali mas ao mesmo tempo são indispensáveis. Composta por Herman Torres e Sérgio Natureza, uma letra relativamente simples, mas completamente poética.

Amelinha, Fagner e Zeca Baleiro. (Foto: Reprodução Internet)

Pedaço de Canção: Para fechar o disco, a escolha parece ter sido feita de forma muito pontual, a canção de Moraes Morreira e Fausto Nilo, ao terminar gera no ouvinte uma sensação de quero mais. Não só pela melodia, não só voz da Amelinha, não só pelo instrumental impecável, mas por todo o conjunto da obra. vale lembra que a faixa tem a participação especial da banda O Terço.

Lançamentos em Vinil:
1979 (original) – CBS (Brasil)
1980 – CBS (Brasil)

Filipe Touca
 
Cientista social colocando as bolachas pra rodar - "só existem dois gêneros de música: música boa e música ruim".
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