Da Universidade à Ásia

 Publicado por Brunno Alexandre    11 de agosto de 2016.

Através de um intercâmbio da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o estudante Lucas Borato, de 23 anos, conseguiu morar na Austrália sem falar inglês e ainda conhecer mais de dez países pela Ásia.
Um dos grandes receios de quem sonha em fazer uma viagem internacional é com o idioma e o medo de passar apuros fora do seu país de origem, onde normalmente se tem respaldo de amigos e familiares. “Eu não sabia falar nada de inglês e estava indo apenas com duas semana pagas em um hostel”, disse o estudante.
Mesmo com as dificuldades do primeiro passo da viagem, a partida, Lucas continuou com seu planejamento. Quando chegou em Melbourne, o estudante conseguiu superar as limitações das primeiras semanas: encontrou um quarto para morar com outro intercambista e começou a estudar inglês. “Eu não sabia falar inglês, mas fui me dedicando. Os australianos são bem receptivos e isso me ajudou, principalmente os jovens que estão sempre acessíveis para uma conversa, principalmente uma conversa de bar [risos]”, brincou.

Australia
Para continuar a viagem, Lucas tinha que manter bons rendimentos na universidade australiana, onde as médias de notas são maiores do que no Brasil. Mas ainda assim ele teve tempo de seguir viagem em momentos livres da universidade, inclusive optou em fazer um mochilão pela Ásia.
“Em todos os roteiros que fiz surgiram novas experiências. Cheguei a dormir ao relento no meio do deserto australiano. Eu tomei precauções como jogar sal no chão para afastar animais. Já acampei na beira da estrada na Nova Zelândia porque estávamos em um lugar tão isolado que não tinha nenhum camping perto. Também fiquei ilhado nas Filipinas por causa de um tufão, inclusive a comida da ilha começou a acabar e não podíamos sair de lá, nem por mar nem pelo ar”, revelou.

Henoi, Vietna
O estudante também sentiu na pele o que é a xenofobia, principalmente em regiões fora do centro e comércios. “Sofri preconceito de pessoas idosas. Normalmente em subúrbios mais afastados do centro da cidade. Algumas vezes tive a mochila revistada no mercado com uma abordagem nada amigável. Também vi pessoas mudando de lugar no trem quando atendi o telefone e comecei a falar português”, contou.
Uma das coisas que os viajantes mais relatam sentir saudade é a comida, no caso de Lucas não foi diferente. “Faz falta não comer um churrasquinho ou uma feijoada. Mas também sinto falta sentimento de segurança e da facilidade com burocracias de lá [Austrália], muito além do nível brasileiro”, afirmou o estudante. Lucas revelou que pretende voltar ao exterior para se especializar, seja através de um mestrado ou doutorado. “Não excluo a possibilidade de me mudar e trabalhar fora. Não necessariamente na Austrália”, concluiu.

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Jornalista, estudante de ciências sociais e um bon vivant pobre.
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