Jaci Furquim: ‘Brilhante Fino’

 Publicado por Brunno Alexandre    26 de julho de 2016.

Jaci Furquim celebra a carreira com novo disco em ode a felicidade. Uma das músicas deu nome ao disco, “Brilhante Fino”, o terceiro trabalho lançado da cantora e compositora paulistana radicada em Marília.  Com participações especiais de baluartes da Velha Guarda da Portela, Marquinho do Pandeiro e Guaracy 7 Cordas, o álbum chega com 12 faixas, dez músicas assinadas por Jaci.

Questionada sobre o por quê de “Brilhante Fino” nomear o disco, Jaci Furquim falou sobre um dos sentidos da canção. “Foi um encontro com algo muito lindo, toda essa vontade, com a garra e gana. Eu pensei: ‘eu vou conseguir que as pessoas no Brasil conheçam meu trabalho’. Por que não? Eu conheço o trabalho de tanta gente. ‘Brilhante Fino’ significa o encontro dos seus objetivos com o melhor de você”, explicou.

Através da gravadora Fina Flor, o trabalho foi disponibilizado no início deste mês em formato digital e também em CD para o público. Jaci apostou em um repertório autoral para resgatar as origens do samba, imprimindo seu retrato de mulher guerreira que batalhou para chegar aonde chegou.

Os músicos Gabriel Soledade e Luciano Soledade, filhos de Jaci Furquim, participaram diretamente da produção de “Brilhante Fino”. O álbum foi construído em família e disponibilizado para outra ainda maior, os amantes do samba. Cada detalhe foi pensando minuciosamente. Todas as músicas são bem estruturadas e executadas por excelentes músicos de Marília.

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Gabriel Soledade, Jaci Furquim, Luciano Soledade em visita ao estúdio da Jovem Pan para apresentar o ‘Brilhante Fino’

Em entrevista para o NNQ (No Nosso Quintal), no estúdio da Jovem Pan de Marília, perguntei a cantora como é trabalhar em família. “É uma forma diferente, produtiva, vez ou outra acaba acontecendo uma briga”, afirmou Jaci.  “Isso é engraçado. Quando eu não brigo com ela eu brigo com o Luciano [risos]”, brincou Gabriel. “Quando começa a briga entre nós três, os outros músicos vão tomar café ou comer bolacha porque eles já sabem que vai demorar”, disse a cantora. Mas também acontece muita coisa boa. Para quem gosta de samba e música popular brasileira, o disco está recheada de coisas boas”, complementou Gabriel.

Canções como “Essa Cor” tiveram um processo de mais de um ano para a finalização, influenciada pela naturalidade e a espiritualidade de Jaci.  Em coro a Xangô, a música remete o sofrimento dos haitianos em 2010, quando um terremoto devastou toda a ilha.  “Eu tive um insight quando aconteceu a catástrofe no Haiti. E logo me veio uma frase: ‘É, tem muita dor nesse povo sofrido, marcado de Nosso Senhor’. Então escrevi o restante da letra. Depois de um ano, em momento de espiritualidade em um show, eu complementei a música”, revelou Jaci.

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Seja hatiano ou brasileiro, a música conta com frases marcantes do violão de 7 de Gabriel Soledade e o berimbau de Jorginho Silva. Ela abre um túnel atemporal e estabelece uma relação entre o ouvinte e os antepassados. Da mesma forma como foi construído “Brilhante Fino”, o disco consegue se aprofunda e atingir as raízes afro-brasileiras. Outra faixa que se destaca no trabalho é “Perdoar é Divino”, a música marca na história o dueto de Jaci Furquim e Marquinho do Pandeiro. Com a harmonia dos sambas tradicionais, é possível notar na canção o rigor da produção do disco e o cuidado que diferencia “Brilhante Fino” dos demais álbuns do mercado, sentidos diante de cada nota executada pelo violoncelo de Ricardo Meira e o clarinete Danilo Agostinho.

O processo de produção do disco também contou com a direção artística de Ruy Quaresma e a produção de Gabriel Soledade. O disco foi gravado por Thiago Pelegrino no Estúdio Sonorion de Marília e a masterização foi trabalho de Luigi Hoffer. ““Eu não faço nada em massa. Eu lido muito com a inspiração. Cada música que minha mãe me passava, eu escuta, ouvia várias vezes. Ela já compunha e me entrega a música com melodia e harmonia. Então eu fui aprimorando as harmonias, trocando os acordes que eu achava interessantes. Esse trabalho é um processo criativo, eu fiz com muita calma. Estamos contentes por saber que temos amigos, temos músicos excelentes na cidade que podem estar em qualquer disco de qualquer cantor e instrumentista”, afirmou o regente e arranjador, Gabriel Soledade.

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Jornalista, estudante de ciências sociais e um bon vivant pobre.
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