5 álbuns religiosos que merecem ser ouvidos por sua musicalidade

 Publicado por Filipe Touca    24 de novembro de 2016.

Ao longo da jornada de muitas bandas e cantores é normal que livros, filosofias e até mesmo filmes sirvam de inspiração para elaboração de músicas, discos ou até mesmo para toda a carreira. Muitas vezes isso serve de inspiração e agrado para os fãs e ouvintes. Mas muitas vezes, o encontro com religiões, seitas, e pensamentos relacionados a divindades também exercem influência sobre o processo criativo do músico. E é ai, que muitos fãs acabam desanimando por causa do conteúdo massante que passa a possuir as letras das músicas. 

Porém listamos aqui 5 pedradas realizadas por 5 grandes nomes da música em seus momentos de explosão religiosa, onde, por mais que as letras sejam um tanto massante, a musicalidade presente no disco faz com que tudo isso passe facilmente despercebido.

 

Vinícius de Moraes e Baden Powell – Os Afro-Sambas (1966)

afro-sambasConsiderado por muitos o divisor de águas na Mpb, “Os Afro-Sambas” de Vinícius de Moraes e Baden Powell, é a consolidação da inserção dos elementos, instrumentos e da sonoridade africana no samba. Muito mais do que isso, é também a consolidação da forte relação entre a música brasileira com as religiões afro-brasileiras. Possuindo grandes clássicos da música nacional, como “Canto de Ossanha”, Vinicius buscou explorar diversos elementos das religiões afro-brasileiras em suas letras, desde aos nomes do Orixás até aos dos instrumentos musicais utilizados. Enquanto isso, seu companheiro Baden Powell, dá um show de musicalidade, articulando os elementos do samba com os elementos da música afro-religiosa, fazendo algo completamente único para época.

Spotify: https://play.spotify.com/album/7ArWgeKnsNsaOyvFl2yNYd

 

Bob Dylan – John Wesley Harding (1967)

john-wesleyMuitas pessoas não passam a ter contato com a religião facilmente, muitas vezes algum acontecimento triste as aproxima disso. Não foi diferente com Dylan. Após seu acidente de motocicleta em 1966, o cantor norte-americano passou a ter maior contato com a Bíblia, e esta passa a influenciar seu trabalho neste e em alguns dos próximos de seus álbuns. Apesar de álbuns como “Slow Train Coming” (1979) serem considerados com conteúdo mais consolidado de seu cristianismo, “John Wesley Harding” se destaca por possuir clássicos mundiais como “All Along The Watchtower” (Eternizada por Jimi Hendrix posteriormente) e “The Ballad of Frankie Lee and Judas Priest” (Que originou o nome da banda Judas Priest). As marcas do cristianismo são evidentes em tal disco no próprio título, mencionando um dos maiores líderes cristão norte-americano, John Wesley, fundador  de uma das maiores vertentes protestantes do mundo, a Metodista. Porém, o álbum marca também a transição musical de Dylan do rock e blues, para o folk e o country.

Spotify: https://play.spotify.com/album/2KzCDxKpgLqBffHu1IZ7Kn

 

George Harrison – All Things Must Pass (1970)

all-things-must-passHarrison era nada mais nada menos do que guitarrista de uma das bandas mais bem sucedidas da época e de todos os tempos, os Beatles. Desde 1965 durante a filmagem de “Help!”, George passou a se dedicar em conhecer mais a fundo o hinduísmo. Em 1968, pós a imensa explosão que foi Sgt. Peppers e pós o fracasso de Magical Mistery Tour, os Beatles se encontravam “perdidos”, e foi então que Harrison teve a ideia de passarem um tempo na Índia junto ao seu guru espiritual Maharishi Maheshi Yogi. Aquilo que a principio serviria para trazer a direção para o Beatles quanto grupo, serviu para cada um encontrar seu caminho individual. E é exatamente neste contexto que Harrison  passa a compor seus discos solos de carácter totalmente hinduísta. “Wonderwall Music” foi a primeira obra do ex-beatle já deixando claro sua proposta, musica calma, tranquila, com inspirações indianas e cheias de mantras. Dois anos depois, contendo a participação de nomes como Eric Clapton, Ringo Starr, Bob Dylan e entre outros, Harrison lançaria uma obra que hoje se encontra em 69º lugar da lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Spotify: https://play.spotify.com/album/16YCkHew4MBxGtpqkCTx6M

 

Tim Maia – Racional (1975)

racional“Leia o livro Universo Em Desencanto”. Se você conhece a obra de Tim Maia, é muito provável que já tenha ouvido esta frase. Após já ter atingido a fama, tendo lançado músicas como “Azul da Cor do Mar”, “Primavera (Vai Chuva)”, “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)” e entre outros, Tim Maia entrou em contato com a Cultura Racional, e não resolveu apenas articular sua obra com a nova religião, e sim, em dedicar sua carreira completamente a propagação da nova religião encontrada, ao ponto que os membros da banda foram obrigados a se converterem também a determinada seita. De todos os discos aqui presentes, sem sombra de dúvidas, este é o mais massante no que se diz respeito ao conteúdo, ao ponto de uma das canções se chamar “Leia o Livro Universo em Desencanto”. Contendo músicas como “Imunização Racional (Que Beleza)”, “Bom Senso” e “Rational Culture”, para muitos é considerado o auge da musicalidade de Tim Maia, trazendo um soul e funk de peso para o Brasil, servindo de inspiração para o futuro grupo de rappers Racionais MC’s. O mergulho de Tim Maia na Cultura Racional foi tão grande, que existem relatos que este teria enviado cópias do livro “Universo Em Desencanto” para nada mais nada menos que John Lennon, James Brown e Curtis Mayfield.

Spotify: Não Disponível

 

Jhonny Cash – American VI: Ain’t No Grave (2010)

cashA verdade é que Jhonny Cash sempre teve um pé no cristianismo por causa de sua família Existem inúmeros registros que perdidos que este teria tentado seguir carreira “gospel” antes de partir para o folk e ficar conhecido mundialmente. A questão é que após os problemas como vício e  a influência da família de June, Cash passou a entrar de fato ao mundo do cristianismo. Agora mais maduro, passou a compor alguns álbuns dedicados exclusivamente a propagação da sua fé cristã, gravando um som chamado “It Don’t Hurt Anymore” (Não Dói Mais), fazendo referência a uma de suas canções mais famosas “Hurt” (Dor).

Spotify: https://play.spotify.com/album/5wIQHyTGeB0oNxQuf6BbZP

E aí, conhece mais algum álbum que merecia estar nesta lista? Comente e nos ajude!!!

 

Filipe Touca
 
Estudante de Ciências Sociais, cristão, esquerdista, colecionador de vinil e amante das artes - "Só existe dois gêneros de música: música boa e música ruim".
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