‘Falta cultura? Sobra má gestão?!’ Editorial Nosso Quintal

 Publicado por Brunno Alexandre    20 de novembro de 2019.

Marília é uma cidade que foi desenvolvida industrialmente.  Antes, com muita tradição nas artes, especialmente o cinema, música e teatro, agora encontra-se desaparelhada culturalmente.

Poucas iniciativas na cidade conseguem resistir por anos. A renovação do universo cultural ocorre em virtude de pulsões da juventude, das novas gerações que surgem e buscam transformar a realidade brucutu do que é viver na Capital do Alimento.

É certo que estar situada longe da Capital, cerca de 430 quilômetros, é prejudicial ao trânsito artístico, na integração e realização de projetos – não falta vontade, mas não existe capacitação e estratégia para coletivos e agentes culturais captarem recursos.

Na outra ponta, sobra má administração de recursos públicos e somos carentes de representação da cultura nos poderes Executivo e Legislativo.

Vislumbrar uma carreira artística, bem direcionada e em condições profissionais parece uma realidade distante do “Planeta Marília”. Novamente, não se trata de desejo, muitos artistas já buscaram se consolidar na cena local e apresentaram propostas interesssantes.

A pergunta que reverbera nas cabeças pensantes é: Por que aqui [Marília] nada vinga? Não estou afirmando que nenhuma iniciativa teve sucesso, não é isso. Questiono o motivo de muitos artistas buscarem espaço em outros lugares porque a cidade ficou “pequena” – afinal, quando Marília foi grande?

Seriam os baixos salários oferecidos para companhias de teatro e bandas?! A inexistência de pontos de cultura para convívio da comunidade?! Ou do público grosseiro que não aprecia a obra e ainda de lambuja reclama do preço do ingresso?!

Esse texto tem a proposta de oferecer uma reflexão coletiva já que o problema posto é comum, ou seja, o problema é nosso. Aguardar pelo poder público municipal é estar na ribanceira e aguardar pelo Sesc Marília é agoniante.

É necessário buscar um projeto sério e estruturado para a classe artística. Seguimos juntos ou afundamos até onde cada um conseguir nadar.

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Jornalista, estudante de ciências sociais e produtor cultural pelo Nosso Quintal.
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