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O Terno e sua estética de rock experimental

Em uma segunda passagem pela Virada Cultural de Marília, a banda O Terno conversou com a equipe do No Nosso Quintal e falou sobre as segundas impressões do público mariliense, além de revelar que vem disco novo para o segundo semestre.

A power-trio é composto por Tim Bernardes, na guitarra e voz, Guilherme d’Almeida, tocando baixo, e Biel Basile na bateria. Inicialmente a banda consistia  em uma banda cover de Beatles e Mutantes, com o tempo foi ganhando espaço e expressão para exibir seu arsenal autoral. Os rapazes lançaram seu disco de estreia, o 66, em 2012, numa meia parceria com Mauricio Pereira. Já em 2014, os músicos lançaram o segundo disco “O Terno”, que consolidou de vez suas propostas músicas. O álbum os colocou entre os 15 melhores discos de 2014, segundo a uma lista revista Rolling Stones.

Naquele ano a banda independente paulistana ganhou diversas premiações. Após um ano de sua participação na Virada Cultural de Marília, o trio voltou para mais uma apresentação na cidade. Exibindo uma grande variedade de sonoridade presente em suas músicas, a banda foi tida pelo público de Marília como o ponto alto da noite de sábado, no dia 21 de maio. Não bastasse a explosão sonora, a banda apresentou o clássico “Trem Azul”, do disco Clube da Esquina, fazendo uma adaptação a sua proposta estética.

Após o show a banda concebeu uma entrevista para a equipe do No Nosso Quintal, os músicos falaram sobre as origens da banda e sua trajetória. O trio contou histórias inéditas, falou da parceria com Tom Zé e de suas impressões sobre sua volta a Marília.

PING-PONG

NQQ:  Como surgiu a banda e, principalmente, quais as justificativas para se chamar “O Terno”?

TIM BERNARDES: Eu e o Guilherme nos conhecemos na escola, na quinta série, e lá pelos 14 anos começamos a tocar juntos e no colegial. A gente formou um trio que já era meio o que viria a ser O Terno, fazendo covers de Mutantes, Beatles e coisas do gênero. Até que entrou o Victor Chaves na banda em 2009, a gente começou a fazer música autoral e trabalhar no repertório que viria a ser o álbum 66, nosso disco de 2012. Depois surgiu o compacto 2013 e também nosso disco de 2014. Desde o ano passado, o Biel Basilie está na banda e a gente já gravou um disco novo que vai sair no segundo semestre desse ano. O Terno é isso! E o nome vem dos sentidos da palavra “terno”, desde as bandas de terninho que a gente gosta da Inglaterra dos anos 60, até o significo de o terno ser um trio, ou de ternura mesmo.

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NNQ: No site da banda informa que o último disco lançado consolidou musicalmente e esteticamente a banda. Qual era a proposta que vocês desejavam trazer?

GUILHERME D’ALMEIDA: A gente falou isso quando o disco saiu mas agora já estamos pensando outra coisa. O primeiro disco, o 66, além de ter sido gravado muito rápido, era mais um registro do que a gente estava fazendo, ainda não era um disco completamente autoral. Eram cinco músicas nossas e cinco músicas do Maurício Pereira. O segundo disco, O Terno, foi o primeiro disco que a gente fez no estúdio e com calma. Todas as composições eram do trio, então foi a primeira vez que a gente conseguiu imprimir nossa estética, ao invés de chegar no estúdio com uma coisa só para registrar. A gente pensou no que queríamos fazer, executamos e vimos acontecer. Mas agora já gravamos o terceiro disco, talvez este seja a cara do O Terno.

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NNQ: Vocês participaram do Som Brasil Tropicália. Como foi para vocês receber esse convite?

TIM BERNARDES: Rapaz, tem uma história engraçada sobre isso. Vou contar (risos). A gente tinha lançado a pouco tempo o clipe do 66 que meio que  deu uma expandida no nosso público na internet. E assim, acabamos lançando o primeiro disco e estávamos numa onda boa com esse trabalho. Até que  chegou um convite da Globo para gravar o Som Brasil. Só que o primeiro convite era para gravar o Som Brasil “Anos 80”. E então a gente ficou com um pé atrás, porque não é bem as influências que nós temos, e não são bandas que nos identificamos musicalmente e esteticamente. Ficávamos pensando: “putz, se fosse Tropicália ia ser tão legal”. Mas nem sabíamos que ia ter o Som brasil Tropicália, dai deu uma semana, os caras falaram “Não, a gente mudou vocês para Tropicália, tem mais sentido”, então a gente foi lá e fez, e foi lindo.

NNQ: Há pouco tempo atrás vocês fizeram uma parceria com o Tom Zé. Como foi conhecer esse gênio da música nacional?

TIM BERNARDES: O Tom Zé é uma figura. E o muito legal do Tom Zé é que ele é. Ele tem uma cabeça de jovem. Ele está sempre criando, sempre fazendo coisa nova, então não é atoa que ele deu liga com essas bandas jovens. Ele é muito moleque e ao mesmo tempo com uma bagagem e um sábio de mil anos.

NNQ: Vocês podiam falar um pouco da sensação do show de hoje, vocês já tinham tocado aqui ano passado, como foi para vocês voltarem pra Marília?

BIEL BASILIE: Legal pra caramba poder voltar para uma cidade em que você já tocou. Na segunda vez, você vem lembrando das coisas boas que aconteceram. Então é legal pra caramba poder repetir e voltar em um lugar que você foi muito bem recebido pelo público.

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NNQ: Vocês tocaram a música “Trem Azul” no show de hoje. O que é o Clube da Esquina para vocês?

BIEL BASILIE: O Clube da Esquina é um dos discos que, eu pelo menos, mais ouvi do Brasil. E é legal que o lance do Clube da Esquina, ele tem uma pegada muito de amigos tocando junto. É o que realmente foi à gravação, dá para notar quando você ouve os depoimentos do Milton Nascimento e do Lô Borges. É um som que é muito bom de ouvir com os amigos, e eu descobri esse disco assim. A gente viajou uma vez para Minas em 2010, e tipo, fomos ouvindo esse disco na estrada. Então é um disco que agrega muitas emoções para além do som, é um disco “coracional”, como diria o Di Melo.

NNQ: Quero saber como foi para vocês estarem no estúdio gravando e quais as adequações necessárias para sair do estúdio e tocar ao vivo.

TIM BERNARDES: No estúdio é bom porque você faz o que você quiser. Se ficou meio vazio você vai preenchendo, se fez errado, só fazer de novo. Eu acho que esse último disco, a gente chegou no estúdio e as bases das canções já funcionavam. Elas já davam conta, mas a gente colocou coisas por cima que fazem um pouco de falta no ao vivo. Mas a essência da música tá lá..Com esse disco novo que vai vir, as coisas vão ficar mais mirabolantes ainda, então vai ter que queimar uns neurônios para fazer um show bacana. Mas show é show e disco é disco.

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