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Pedindo passagem, Joyra Carrer mostra que o interior também samba

Dona de uma voz imponente, Joyra Carrer comemora ano produtivo na carreira, que inclusive contou com turnê na Argentina. Com apenas 20 anos, a cantora se firma como uma das principais vozes do samba no interior de São Paulo.

Joyra Carrer e o músico-amigo Carlinhos Freitas, com quem desenvolve um projeto mais intimistas

Apesar de a família morar em Santa Cruz do Rio Pardo, Joyra mora em Marília, onde estuda fonoaudiologia na Unesp (Universidade Estadual Paulista). Sem tempo para folga, Joyra viaja com frequência para apresentações. Com uma agenda apertada, foram mais de 50 shows neste ano.
Joyra se divide entre dois projetos, com o amigo-músico Carlinhos Freitas em um formato mais intimista e o Grupo Borogodó do Samba, que tem oito integrantes (duas vozes femininas, duas masculinas e mais quatro instrumentistas).

Grupo Borogodó do Samba com sua formação completa; músicos apresentam o melhor do samba raiz no seu repertório

Em entrevista, a cantora conversou sobre suas referências na música e as experiências vivenciadas na carreira. “As oportunidades vivenciadas nesses últimos anos me proporcionaram mais fé na minha carreira. Participar de uma mini turnê na Argentina e ser acompanhada por grandes nomes da música brasileira me fizeram acreditar que basta persistir, estudar e encarar a vida que podemos realizar coisas que pensamos estar muito distantes”, afirmou.
Focada mais em interpretar do que compor, a cantora tem outras grandes mulheres para norteá-la. “Me inspiro muito na Elis Regina, Maria Rita, Thais Macedo, Mariene de Castro e Clara Nunes. Pra mim são as mais belas vozes e melhores intérpretes da MPB e do samba”.
A intérprete esteve no palco com grandes instrumentistas da música brasileira em setembro de 2015, a convite de Jean Freitas, quando se apresentou com o baixista Pipoquinha, o acordeonista Mestrinho, que acompanha Gilberto Gil, e o multi-instrumentista Sandro Haick, que produziu o disco do Dominguinhos (Viva Dominguinhos) concorrido ao Grammy em 2009.

Encontro musical de Joyra Carrer, com Michael Pipoquinha, Jean Freitas, Mestrinho do Acordeon, Sandro Haik

Em setembro deste ano, Joyra foi escolhida como cantora convidada para se apresentar com a Banda Sinfônica de Laranjal Paulista, com 50 músicos sob a regência de Fúlvio Scarme. “Os nossos sonhos estão muito mais próximos do que a gente imagina. Tudo isso me fez continuar acreditando que um dia posso chegar lá”, completou.

Banda Sinfônica de Laranjal Paulista, sob a regência de Fúlvio Scarme, convidou Joyra para cantar em festival

Em relação aos desafios na carreira, a cantora foi enfática ao revelar que um de seus planos é viver da música. “É o meu sonho. Porém, é complicado, ainda mais em cidade pequena como a que moro. A principal dificuldade que nós, músicos, encontramos é a desvalorização do nosso trabalho. Um músico no Brasil ainda precisa ter mais um emprego”, complementou. Questionada sobre os planos para o futuro, 2017 será um ano de mudança para a cantora.“Para o próximo ano pretendo, além de terminar a faculdade, continuar com os shows na região. Após o término do curso, meu grande sonho é investir na música de fato. Me mudar para uma cidade maior ou até quem sabe estudar fora do país, conhecer novas culturas e estilos musicais. Penso sim em lançar um disco também, mas creio que essa ideia se concretizará em alguns anos”, finalizou.

 

PING-PONG

Quando surgiu o desejo em cantar? Foi de uma forma espontânea?

Na realidade aconteceu de uma forma bem natural e eu não imaginava a proporção que isso tomaria. Como todas as minhas amigas, na época com 6 anos, iam entrar no coral da escola, também entrei, sem pretensão alguma. Então, fui gostando e, sem perceber, me destacando. Quando notei, já fazia os solos nas músicas. Foi aí que eu descobri o amor pela música e ela passou a ser a parte mais importante da minha vida. Permaneci no coral até os 11 anos e após isso, minha vida musical continuou e passei por vários estilos até conhecer a minha grande paixão: o samba.

Como e quando surgiu o grupo Borogodó?

O Ubirani Gonçalves, sempre teve o sonho de resgatar o samba clássico, com o intuito de não deixá-lo morrer e mostrar para a geração que vem chegando as belas músicas que foram compostas por grandes artistas. Após se aposentar, convidou alguns amigos para realizar esse desejo. O Grupo Borogodó do Samba nasceu em Agosto de 2009 com 12 integrantes. Com o passar do tempo, o grupo foi se ajustando e hoje conta com 8 pessoas, sendo duas vozes femininas e duas masculinas e mais quatro instrumentistas.

Como funciona a escolha do repertório?

No início do grupo, Bira e mais duas pessoas, como conheciam muitos sambas, montaram um repertório “base”, escolhendo a dedo as melhores canções. Hoje em dia todos sugerimos músicas, e se o pessoal concorda e acha que encaixa no repertório, começamos a ensaiá-las. Aos poucos estamos atualizando o repertório, deixando mais moderno para agradar a todos, mas o que prevalece é o samba de raiz.

O que é a música em sua vida?

Eu posso comparar a música na minha vida, sem exagero nenhum, com o ar que eu respiro. É isso! Sem ela eu não sei o que seria de mim. É a música que dá o colorido, a razão e o porquê da minha vida.

 

 

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