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IBGE lança o Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras 3ª edição

Gosta de literatura?

Pois bem, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acaba de publicar a terceira edição do Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras!

“O Atlas das representações literárias de regiões brasileiras introduz a dimensão cultural na análise do espaço geográfico, revelando e fixando sua identidade, ressaltada também pelo aporte iconográfico.” (IBGE, 2006)

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Como assim?

O Regionalismo e a identidade regional são marcas tradicionais na literatura brasileira, vide José de Alencar com Iracema e O Sertanejo (Ceará), O Gaúcho, O Tronco do Ipê (Interior fluminense), Til (Interior Paulista) entre outros romances urbanos, rurais e históricos. Na intenção de apresentar um Brasil por meio da Literatura, o Atlas mapeia sua regionalização do país conforme as obras literárias que abordam determinada porção do território e, em conjunto, traçam regiões. O IBGE considera  a “(…) Literatura como instrumento privilegiado para a percepção e identificação de regiões (…)” (IBGE, 2006)

 

E como é o Atlas?

Até então, consiste em três volumes, cada qual correspondendo a uma região literária do país, são eles:

Brasil Meridional (2006)

O primeiro volume aborda as regiões literárias do Sul do Brasil passando pelas Missões Jesuítas, Campanhas Gaúchas, Colônias, Vale do Itajaí e o Norte do Paraná, cada qual com obras que as relataram enquanto cenário de seus enredos em momentos específicos.

 

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Sertões Brasileiros I (2009)

O segundo volume trata do interior mineiro, rico em representações literárias cujo mote da investigação vem de Guimarães Rosa ao dizer: “Minas é muitas”. Acrescenta-se no volume o sertão nordestino em sua vastidão lamuriosa e bela. Em síntese, esse Sertão do Leste do Brasil compõe as seguintes regiões: Sertões do Ouro, Sertões dos Currais, Sertão de Cima, Sertões Nordestinos, Cariri Cearense, Sertão do Pajeú e Cariri Paraibano.

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Os Sertões do Leste são as terras do perigo, do desconhecido e compõem  “(…) a extensa área da Mata Atlântica e das serras do Mar e da Mantiqueira que dominam grande parte do Sudeste brasileiro” (IBGE, 2009). Foi a terra do ouro e do café, de resistência e sofrimento.

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Trabalha-se bastante a ideia de sertão no imaginário popular, o que acarreta mergulho profundo nos planaltos e chapadas deste leste a se desbravar na leitura.

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Sertões Brasileiros II (2016)

Publicado hoje (29/11), o terceiro volume do Atlas dá continuidade à vastidão sertaneja, desta vez, do Oeste e de Passagem. Neste volume, compõem o Sertão do Oeste: as Minas de Cuiabá e de Mato Grosso, as Minas dos Goyazes, o Pantanal e os Ervais Matogrossenses. Já o Sertão de Passagem é constituído por: Sertão da Farinha Podre, dos Garcias, Região da Alta Sorocabana, Pontal do Paranapanema e o Jalapão.

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“Os Sertões do Oeste iniciam-se com a descoberta de ouro no extremo ocidente da área de colonização portuguesa no Século XVIII” (IBGE, 2016)

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Estrutura dos Atlas

A estrutura consiste em:

“Cada um dos capítulos aborda uma região(…) Os capítulos que abordam as regiões geográficas incluem a apresentação da região como a Geografia a definiu, tanto no IBGE quanto por geógrafos de outras instituições, estando esta parte composta de texto e mapa. Segue-se a percepção da região pela Literatura e passagens de romances que permitem sua visibilidade (…) Por fim, tem-se os mapas localizando a região que emerge dos romances e fotos ou imagens da mesma. Em todos os textos foram destacados, em negrito, os termos regionais referentes ao território e seu processo de apropriação. Estes termos formam um glossário no final do Atlas.” (IBGE, 2006).

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E sabe o que é melhor? Os três volumes estão disponíveis para download gratuito!

Cada região abarca não só uma vastidão de território, mas, principalmente, imensidão de inspirações e ótimas indicações literárias pra gente parar com a ideia tola de que não há cultura além do feudo globalizado que só absorve o gringo e suas adaptações abrasileiradas.

Brasileiremo-nos na cultura, por favor.

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