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História de Pé de Veludo vira filma e será lançado no primeiro semestre

História do mariliense “Pé de Veludo”, Guaracy Marques Pinto, morto em 1964, com 21 anos, está sendo filmada e vai virar um longa-metragem. O filme está sendo realizado pelo paulistano Marcelo Colaiacovo e Nilson Primitivo. Colaicovo está em Marília coletando relatos desde segunda-feira (9) um dos criminosos mais cultuados da história do Brasil.

O inicio da fama de Pé de Veludo surgiu a partir dos inquéritos policiais, quando o criminoso ganhou destaque ao furtar 36 residências em menos de 15 dias em Marília. Pouco tempo depois, Pé de Veludo virou alvo das polícias Civil e Militar. Os depoimentos das ocorrências registradas eram curiosos, já que o criminoso conseguia furtar as casas com os moradores presentes. Inclusive, a ousadia era tamanha que Pé de Veludo costumava comer e até usar o banheiro das residências. Ele ainda deixava bilhetes para as vítimas, como “estava uma delícia”.
“Eu gosto muito da história por ela ser um mito. A polícia fala uma coisa. A população tem outra. E a imprensa conta uma versão diferente. E todo mundo tem uma história com o Pé de Veludo. As versões são contraditórias. Mas para o projeto do filme não interessa muito porque quando a história vira um mito. O interessante é não ter uma verdade absoluta”, explicou Colaiacovo.

Mulher visita o túmulo do Pé de Veludo, que é considerado santo; visitantes pedem graças (Foto: Paulo Cansini)

Muitos marilienses lembram de Pé de Veludo como uma espécie de “Robin Hood” tupiniquim. Já era lembrado pela generosidade. O criminoso fazia compras para famílias carentes, pagava balas e refrigerantes para as crianças. As atitudes emblemáticas causaram uma boa fama no rapaz, que continuou sendo generoso e na criminalidade.
O filme será assinado pela produtora independente “Resistência Filmes”, fundada em 2009. Colaiacovoa revelou que as filmagens estão ocorrendo em São Paulo e em Marília. As gravações iniciaram neste mês, quando parte do elenco foi selecionado.
Como o projeto é totalmente independente, o diretor e produtor Colaiacovoa está organizando um financiamento coletivo para finalizar o longa-metragem. “Eu tive experiência com editais culturais do Governo do Estado. O tempo para o desenvolvimento do projeto é de três à cinco anos. Nós precisávamos de urgência.
Em relação às contribuições, qualquer quantia é valida. Desde R$ 10 até 500 reais. Para empresários que queiram colaborar, também podemos ceder parte dos direitos do filme. A ideia era buscar R$ 60 mil, que é um valor baixo. Pela Agência Nacional de Cinema, um projeto de um longa -metragem custa no mínimo R$ 1,2 milhões”, afirmou o paulistano.

‘Temos que contar essa história com ou sem dinheiro’, diz diretor

Diretor e produtor do longa-metragem Pé de Veludo, Marcelo Colaiacovo, em entrevista na rádio Jovem Pan de Marília

‘Pé de Veludo’ teve uma morte polêmica, o que ocasionou muitas versões sobre o fato. Após a morte do delegado Ewerton Fleury Curado, executado com dois disparos por Alcyr, irmão do Pé de Veludo, em uma visita à casa dos criminosos.
O delegado Curado teria ido visitar à casa para interrogar Pé de Veludo, que estava sendo acusado de corrupção de menores (ele teria oferecido bebidas alcoólicas para menores de idade).
Pé de Veludo não estava na casa e o delegado descobriu um arsenal de armas escondido em um dos cômodos. Como reação, Alcyr matou o delegado. Quando a notícia foi divulgada, a polícia realizou um cerco na residência e, quando Pé de Veludo chegou na casa, iniciou o tiroteio.
Há relatos de 15 horas de tiroteio. Mesmo com a casa cercada, o criminoso ainda resistia. Até os policiais improvisarem uma bomba de cloro e atirar na residência. Pé de Veludo não resistiu e morreu em seguida.
“A história do Pé de Veludo é importantíssima no momento atual. Não estamos fazendo o filme para dar um veredito. Vamos falar sobre todas as partes. Mas o interessante é o lado lúdico. A história de um cara que entrava na casa das pessoas e depois da morte ter virado um santo dessa magnitude, com fiéis e placas de graça alcançadas”, finalizou.

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