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Dia da Consciência Negra será marcado por resistência em Marília

O “Dia da Consciência Negra”, comemorado no próximo domino (20), terá uma programação especial a partir das 19h30, no auditório municipal Prof. Octávio Lignelli, na região central de Marília. Serão realizadas apresentações de música e dança. Além de exposições, palestras e depoimentos sobre discriminação e empoderamento negro. A entrada para o evento será a doação de um quilo de alimento não-perecível. Todas as doações serão encaminhadas para o grupo “Maria Carolina de Jesus”, uma entidade que atua no bairro Vila Barros, na zona Norte. Os alimentos serão doados para as famílias carentes da comunidade que abriga uma das maiores periferias de Marília.

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Frente Carolina de Jesus vai doar os alimentos arrecadados para famílias carentes da Vila Barros, Zona Norte de Marília

A programação com mais de dez atrações foi organizada pelo coletivo “Negras Ginga”. Estão confirmados a apresentação dos cantores Yagda Campos e Neto Vicente, Alice Lourenço, Grupo TMJ e Reginah Santos. A parte da dança será representada pelo grupo Divas Encaracoladas (projeto Marília Afrofest) e hip hop com o Grupo Império Urbano (sob direção de Bia Rezende).
Enquanto tudo isso acontece, a 10ª Exposição Coletiva de Artes “Tributo à Beleza Negra” com a participação das artistas Maria Neusa Silva e Margarida Lucio estará disponível para o público. O fotógrafo Eduardo Dantas também vai estar presente com seu acervo, que está em cartaz na Galeria Municipal de Artes até o próximo dia 2.

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Jéssica Machado dos Santos do coletivo ‘Negras Ginga’ na última edição do ‘Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha’

Segundo Jéssica Machado dos Santos, uma das militantes do coletivo, o racismo permanece velado no país, principalmente nas cidades de médio e pequeno porte. “‘O Dia da Consciência Negra’ é importante para reestabelecer uma união no movimento negro”, que, segundo Jéssica, está segregado. “Muitos negros negam a importância dessa data, não reconhecem que a consciência negra se faz necessária para combater o racismo do dia a dia. Precisamos entender o passado para entender como a união do povo negro foi forte para a abolição da escravatura. E hoje é fundamental para reduzir e acabar com todas as desigualdades raciais”, complementou.

‘Racismo é comum, mas não é normal’, rebate Jéssica Santos

Um dos principais paradoxos sociais continua sendo a situação da comunidade negra no país. Enquanto parte da população defende melhorias para combater a desigualdade social, outra parcela acredita que a situação do país está igualitária.
O racismo ainda é recorrente e continua sendo normatizado no país, segundo Jéssica Santos. “Nas cidades de médio e pequeno porte o racismo é velado. Diferente das grandes metrópoles, a mídia dessas cidades não dão atenção aos casos de racismo”, explica.  Para exemplificar como racismo é relativizado, a militante ainda citou o caso da primeira dama, Michelle Obama, que foi comparada a um “macaco de saltos altos” por duas figuras públicas dos Estados Unidos.

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“As pessoas se assustam quando acontece com a primeira dama dos Estados Unidos. Mas quando acontece com vizinhos, amigos, colegas ou parentes, a atenção não é a mesma. As pessoas naturalizam o racismo, como se fosse normal. Ele é comum, mas não é normal. É preciso que tenhamos coletivos negros que tragam e pontuem essas discussões e proponham medidas para combater o preconceito”, afirma Jéssica.

A militante defende que o diálogo seja realizado entre toda população. “Os casos de racismo são frequentes todos os dias. Mas quando vamos analisar, as pessoas racistas afirmam que é ‘somente’ uma opinião. E é por isso que precisamos dialogar com todos. Não adianta leis se as pessoas se escondem atrás da opinião”, finalizou.

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