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Da Confluência de brasilidades, nasce, Zat.

Em entrevista o compositor, músico e antropólogo fala um pouco sobre sua trajetória, obra e pesquisa. Nascido no interior de São Paulo, em Bebedouro, Samuel Hernandez, conhecido como Zat, teve a música como sua grande companheira ao longo de sua vida. Filho de Pai músico e de mãe que realizou conservatório de piano, desde pequeno a música acompanhou Zat em cada passo.

Sua infância foi marcada pelo convívio com a grande pluralidade musical do brasil, da viola caipira ao bossa-jazz, toda a grandeza da música brasileira ecoava em sua casa. Principalmente o grupo Boca Livre, o qual Zat considera ser sua grande inspiração. Dessa forma, o músico foi criado em contato direto com as mais diversas rodas de música nacional: samba, música caipira, MPB e etc. Sua casa sempre foi um reduto para os músicos locais se encontrarem, para realizarem suas músicas e admirarem as músicas já consagradas.

Apesar de toda essa convivência, Zat demorou um pouco para desenvolver seu interesse em tomar contato com os instrumentos. Em um primeiro momento, seu desejo era saciar a ambição de compreender e conhecer todo aquele universo que o rodeava. Quando alcançou seus 10 anos, em uma tarde, resolveu pegar uma das violas que havia na sala de sua casa, e começou a tentar tocar incessantemente uma melodia com a qual era familiarizado. A música era o clássico de natal “Para não ser triste”, jingle do banco nacional composto por Edson Borges. A melodia nascia nas mãos do pequeno artista enquanto cantarolava em sua cabeça: “Quero ver, você não chorar, não olhar para trás…”. No final da tarde, quando seu pai chegou em casa, ele mostrou o resultado da sua tarde e seu pai ficou emocionado. Ensinou o restante da melodia daquela música, e com isso se deu o início de seu relacionamento com os instrumentos.

Um ano depois, Zat e seu irmão ganharam de seu pai seu primeiro violão, um Giannini Flat, junto ao violão, veio um pequeno manual para iniciantes, ensinando os acordes, que continha em seu final algumas músicas para colocar em prática aquilo que se havia aprendido. Entre elas, estava a música “A Banda”, de Chico Buarque. Por incrível que pareça, no inicio essa foi a única base teórica que o músico teve, todo o resto se desenvolveu com base em sua convivência com seu pai e com os amigos de seu pai, além das próprias experiências que ele mesmo desenvolvia com base na sonoridade que ia ouvindo.

Já próximo aos 15 anos, ganhou um Di Giorgio que o acompanha até hoje – um maravilhoso violão diga-se de passagem, o qual já tive a oportunidade de tocar (hehe) – fazendo com que houvesse mais tempo para suas práticas, visto que agora não precisava mais dividi-lo com seu irmão. Passou a conhecer as noções de campo harmônico que seu Pai lhe passava baseado no método publicado de Paulinho Nogueira (Professor de Violão de Toquinho). Junto a isso, Zat contou que outro fator de grande ânimo para seus estudos foi que seus pais adquiriram um computador com internet, fazendo com que ele e seu irmão tivessem fácil acesso a cifras e conteúdos musicais, visto que as revistas impressas com cifras eram relativamente caras para a época.

Dessa forma, seu pai passou a ensinar canções diferentes para cada filho, baseado nos gostos pessoais de cada um. Ensinava também divisão de vozes e ensaiavam canções como “Pinheirinhos de Luz”, “Céu cor-de-rosa” e “Chanson d’amour”. Mais tarde, aos 16 anos, Zat teve seu primeiro amor, e com isso, surgiu o anseio por compor sua primeira música. Com isso, ele contou que tirou a música Natasha, do grupo Capital Inicial, e passou a tocá-la muitas vezes, até surgir uma nova melodia para aqueles acordes. E com esta nova melodia, escreveu sua primeira música. Porém, dentro de sua imaturidade, a música acabou, ironicamente, sendo trilha para o término de seu primeiro relacionamento. Seria trágico se não fosse cômico.

Aos poucos, foi desenvolvendo suas composições. Já organizando suas próprias estruturas de acordes, contou que seus períodos antes da faculdade foram de um grande fluxo de composições, justamente na busca de aperfeiçoar este dom.

Já na universidade, cursando Ciências Sociais pela UNESP na cidade de Marília-SP, Zat encontrou em alguns bares da região da faculdade grandes rodas de samba, e ali passou a conhecer pessoas que vieram a enriquecer grandiosamente seu universo musical. Nesse convívio, passou a conhecer a obra de Guinga, que, segundo o músico, se tornou uma obsessão. E junto com esses colegas, formaram uma banda com muitos integrantes e foram tocar em uma cidade próxima, Assis-SP. Neste mesmo período, revelou que passou a desenvolver seu interesse por aprender a tocar músicas mais complexas de nomes consagrados da música nacional como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Baden Powell, entre outros.

Pouco tempo depois, através de outros amigos passou a entrar em contato com outros músicos nacionais como Xangai, Elomar ,Dercio Marques e Pereira da viola; se apaixonando pela complexidade que essas músicas apresentavam. Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Paulinho Pedra Azul entre outros passam a ser nomes frequentes no seu dia-a-dia. Nesta mesma época, seu irmão, que ainda estava estudando em Marília também, o presenteou em seu aniversário com cerca de 12 discos de vinil, fazendo nascer uma nova paixão do músico, que se tornou um colecionador de bolachões.

A paixão pelos discos de vinil fez o músico entrar em contato mais profunda com o Clube da Esquina, e com todos aqueles da música mineira que o cercavam, os quais, de acordo com o músico, se tornaram o eixo central de sua influência musical como compositor. Ou seja, somando um pouquinho de Boca Livre, os sentimentos de Guinga, o sertão da bahia, as canções amazônicas, e principalmente, as características de Milton Nascimento, Zat começou a compor, de fato, suas músicas.

A partir daí, já aos 22 anos, morando em uma república, passou a dividir quarto com um apaixonado pelo rock. Com isso, houve um contínuo intercâmbio musical, por meio do qual ele transmitia o que conhecia da música nacional, e recebia o mais fino do rock internacional: The Who, Led Zepellin, Pink Floyd e etc. Porém, isso foi apenas a ponta do iceberg, uma vez em contato com o rock, abriram-se as portas para o blues e, posteriormente, para o jazz. Ou seja, nomes como Muddy Waters, Little Waters, Howlin’ Wolf, Miles Davis, John Coltrane, Chat Baker entre outros passaram a fazer parte de suas playlists.

Após conhecido o universo da música americana e inglesa, Zat passou a sentir saudade daquela música que esteve presente em sua infância e, com isso, sentiu a necessidade de novamente ter esse contato. Agora, mais maduro, ao reouvir tudo aquilo, afirmou ter passado a realmente entender o que aquilo significava, de forma a poder conciliar suas raízes com o que de mais novo havia aprendido e passou a compor pensando em unir as extremidades cronológicas de sua vida. Nesse sentido que as composições como “Amarelo Ouro” e “Um Azul sem Final” começaram a surgir.

Alguns anos depois, agora não mais morando na república, mas em um apartamento, com seu melhor amigo de sua cidade natal. Pedro Pellegrino, compositor e multi-instrumenttista influenciou profundamente em sua concepção musical.  Zat passou agora junto com Pedro a desenvolver um novo ciclo de amizades musicais. Desta forma, um novo grupo de amigos passou a se reunir ali a fim de trazer uma nova complexidade musical, por meio da qual cada um concedia o que tinha de melhor para os demais ali. E foi o momento em que o músico realmente entendeu que a música era uma das coisas que ele teria certeza que gostaria de fazer de sua vida. Ao lado de músicos e poetas como Lúcio de Barros, Brunno Alexandre, Pedro Hipólito, Daniel Fogaça – e eu mesmo (hehe) – passou a dividir composições, noites regadas a música e a cerveja.

Agora já formado, Zat passou a ter um forte contato com músicas que fogem aos eixos centrais da indústria cultural. Conhecendo o universo da música principalmente africana, passou a ganhar uma imensa bagagem de conhecimento. Nesse mesmo período, o músico conseguiu um emprego no prestigiado Instituto Cultural Cravo Albin, no Rio de Janeiro, o qual possui o maior Dicionário de Música Popular do mundo e um grande acervo de Disco. Um acervo que o coloca em contato diário com as mais diversas pessoas que estão relacionada à música brasileira, de pesquisadores aos próprios compositores.

Agora, na Cidade Maravilhosa, Zat revela que sua primeira composição nessa nova terra tem sido sua grande aposta para sua carreira. “Talismã” é a chave para muitas portas que estão sendo abertas para o músico, entre elas, a oportunidade de tocar com Maurício Maestro do grupo Boca Livre, sim, aquele mesmo grupo que seu pai ouvia, se tornando sua grande realização poder tocar ao lado daquele que lhe influenciou desde pequeno.

Desse modo Samuel Hernandez (Zat) segue compondo e inicia um projeto de gravar seu primeiro disco. Quem quiser conferir um pouco de sua pluralidade musical pode entrar no Soundcloud no perfil do Nosso Quintal e achar por lá as versões caseiras de composição que Zat apresenta. 

No atual momento, Zat busca compreender os dois grandes universos que viveu: São Paulo e Rio de Janeiro. Compreender para somar! Compreender para harmonizar! Como o próprio músico revela, seu desejo é poder harmonizar as duas essências, conservando o que há de mais original em cada uma delas.

Evoé, jovem artista!

 

Para quem quiser entrar em contato, os telefones figuram a baixo.

Telefone – 21 9 9843 2888 ou 17 3342 1569

Souncloud – https://soundcloud.com/user-509030453

Email –  samueldecarvalhohernandez@gmail.com

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