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11 Curiosidades sobre Eric Clapton em suas Próprias Palavras.

Os Verdadeiros Pais

            “No início da minha infância, quando tinha uns seis ou sete anos, comecei desenvolver a sensação de que havia algo diferente comigo. Talvez fosse o jeito como falavam de mim, como se eu não estivesse presente. (…). Mas, pedacinho por pedacinho, escutando cuidadosamente aqueles diálogos, lentamente comecei a notar o quadro do que se passava e a entender que os segredos em geral tinham a ver comigo. Um dia ouvi uma de minhas tias perguntar: “Você tem notícias da mãe dele?”, e comecei a me dar conta de que, quando o tio Adrian me chamava brincando de pequeno bastardo, estava falando a verdade. (…)

“Clapton quando criança”

A verdade que enfim descobri que minha mãe e meu pai, Rose e Jack Clapp, de fato eram meus avós, Adrian era meu tio, e Patricia, filha de Rose de um casamento anterior, era minha verdadeira mãe e havia me dado o nome de Clapton. (…).

A música tornou-se curativa pra mim, e aprendi a escutar com todo meu ser. Descobri que ela conseguia acabar com todas as emoções de medo e confusão relativas à minha família. Essas se tornariam mais agudas em 1954, quando eu tinha 9 anos, e minha mãe apareceu de repente em minha vida. (…).        Muito embora aquela altura eu já soubesse a verdade sobre ela, e Rose e Jack estivessem cientes disso, ninguém disse nada quando chegamos em casa, até que uma noite, quando estávamos todos sentados na sala de visita de nossa casa minúscula. Falei de repente para Pat: “Posso chama-la de mãe agora?”. Durante um pavoroso instante de constrangimento, a tensão na sala foi insuportável. A verdade impronunciável finalmente estava dita. Ela então disse de um jeito muito gentil: “Acho que é melhor, depois de tudo o que eles fizeram pro você, que continue chamando seus avós de mãe e pai”, e naquele momento senti uma rejeição total.”

 

O Início de uma Admiração – Robert Johnson

“Robert Johnson”

“Não compramos um amplificador, de modo que eu só podia tocar acusticamente e fantasiar sobre o som que teria, mas não importava. Eu aprendia coisas novas sozinho o tempo todo. Na maior parte daquele período tentei tocar como Chuck Berry ou Jimmy Reed, lances elétricos, e então meio que recuei para trabalhar com country blues. Isso foi instigado por Clive, que do nada me deu um disco para ouvir chamado King of the Delta Blues Singers, uma coleção de 17 canções gravadas pelo bluesman Robert Johnson na década de 1930. Eu li nas notas do encarte que, quando Johnson fez as audições para as sessões em um quarto do hotel em San Antonio, tocou de frente para o canto da peça porque era muito tímido. Tendo sido paralisado pela timidez quando criança, identifiquei-me com isso imediatamente”.

 

Clapton e os Stones

“Brian Jones, Mick Jagger, Keith Richards”

            “Nesse meio tempo eu ainda trabalhava em construção para meu avô e circulava pela cena musical local, que então florescia. Alexis Korner tinha inaugurado seu próprio clube, o Ealing Club, em um porão apertado defronte à estação da Ealing Broadway, ao passo que outro entusiasta do blues, Giorgio Gomelsky, tinha aberto o CrawDaddy Club no velho Station Hotel, em Richmond, onde a banda residente nas noites de domingo era a recém-formada Rolling Stones.

Conheci Mick, Keith e Brian durante seu longo período de gestação, quando não tocavam nada além de R&B. Nosso primeiro encontro foi no Marquee. Foi na segunda vez que fui ver Alexis tocar, e todos eles estavam lá. Em certo momento, levantaram-se para tocar com a sessão rítmica de Alexis naquela noite específica. Engatei uma conversa com Mick, e ficamos amigos. Ele sempre carregava um microfone no bolso, um Reslo, que peguei emprestado para fazer um show em Richmond, em que éramos apenas eu e um baterista tocando canções de Chuck Berry. O microfone não tinha pedestal, de modo que tive que empilhar duas cadeiras e prender o microfone em cima desse suporte improvisado.

Mick, Keith e Brian tocavam onde quer que conseguissem, no 51 Club de Ken Colyer, em Charing Cross Road, no Marquee e no Earling Club. Eu as vezes ficava no lugar de Mick quando ele tinha dor de garganta, e durante um tempo éramos todos bastante chegados”.

 

“Capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band dos Beatles”

Beatles e o LSD

            “Eu frequentava muito um clube chamado Speakeasy, na Margaret Street. Era um clube de músicos administrado por Laurie O’Leary, que antes havia empresariado o Esmeralda’s Barn para os Krays, e por seu irmão Alphi. Todo mundo ia lá e fazia um jam com qualquer que fosse a banda residente da noite. Foi no Speakeasy, por volta dessa época, que tive minha primeira viagem de LSD. Estava no clube com minha namorada Charlotte quando os Beatles chegaram com o acetato de seu novo álbum, Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band. Pouco depois os Monkeys apareceram, e um deles começou a dar umas pílulas, que disse que se chamavam STP. Eu não fazia ideia do que se tratava, mas alguém explicou que era um ácido superforte, que durava vários dias. Todos nos tomamos, menos Charlotte, pois nos combinamos que ela deveria permanecer sóbria para caso de qualquer emergência; pouco depois, George deu o acetato para o DJ tocar. Embora eu não tivesse a menor reverência pelos Beatles, tinha noção que aquele era um momento especial para qualquer um dos que estavam ali. A música deles havia evoluído gradativamente ao longo dos anos, e todo mundo esperava que esse álbum fosse a obra-prima. Também havia sido supostamente composto sob a influência do ácido, de modo que era uma experiência espantosa ouvi-lo no estado em que nos encontrávamos. Eles também haviam começado a explorar o misticismo indiano , talvez pelo resultado da influência de George, em dado momento o canto de “Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare” começou a ser ouvido no clube. O ácido fez efeito aos poucos, e logo estávamos todos dançando ao som de “Lucy in the Sky” e “A Day in the Life”. Tenho que admitir que fiquei muito emocionado com a coisa toda”.

 

George Harrison

            “Ás vezes eu ia até a casa de George em Esher e tocávamos guitarra e tomávamos ácido, e pouco a pouco a amizade começou a se formar. Um dia, no começo de Setembro, George me levou até o Abbey Road Studios, onde estava gravando. Quando chegamos, ele falou que ia gravar uma de suas canções e me pediu para tocar guitarra. Fiquei bastante surpreso e considerei uma coisa engraçada de se pedir, visto que ele era o guitarrista dos Beatles e sempre havia um belo trabalho nos discos. Também fiquei bastante lisonjeado, pensando que não havia muita gente que fosse convidada para tocar em um disco dos Beatles. Eu nem havia levado minha guitarra, de modo que peguei a

“George Harrison e Eric Clapton”

dele emprestada.

Minha análise da situação foi que John e Paul faziam pouco das contribuições de George e Ringo para o grupo. George apresentava canções em cada projeto apenas para vê-las empurradas para o segundo plano. Creio que ele sentiu que a nossa amizade poderia dar-lhe algum apoio e que ter-me ali para tocar poderia estabilizar sua posição e quem sabe até granjear-lhe algum respeito. Fiquei um pouco nervoso porque John e Paul eram muitos seguros de si, e eu era um forasteiro, mas foi tudo bem. A canção era “While My Guitar Gentle Weeps”. Fizemos apenas um take, e achei fantástico. John e Paul estavam muitíssimos desinteressados, mas vi que George ficou feliz, pois ouviu-a repetidas vezes na sala de controle e, após acrescentar alguns efeitos e fazer uma mixagem tosca, os outros caras tocaram algumas canções que já haviam gravado. Senti como se tivesse sido introduzido no santuário deles”.

 

Seu Presente para Jimi Hendrix

“Jimi Hendrix”

            “Embora Jimi fosse canhoto, sempre tocou com guitarras destras de cabeça para baixo, uma tradição que não era o único. Albert King e Steve Ray Vaughan usavam esse estilo, assim como Doyle Bramhall II, que toca em minha banda atual. Certa tarde estava percorrendo as lojas de instrumentos musicais do West End quando vi uma pequena Stratocaster branca canhota, e comprei em um impulso para dar para Jimi. A cena era tão pequena que eu sabia que iria vê-lo naquela noite, pois iria a um concerto de Sly and the Family Stone no Lyceum, e era certo que o Jimi estaria lá. Levai a guitarra ao show comigo para dar a ele depois, mas Jimi não apareceu. No dia seguinte fiquei sabendo que havia morrido. Ele apagou, detonado com uma mistura de birita e drogas, e sufocou-se no próprio vômito. Foi a primeira vez que a morte de outro músico realmente me afetou”.

 

“George Harrison e Eric Clapton no Concert to Bangladesh”

Concert to Bangladesh e o uso de Heroína.

            “Para a minha sorte, Alan Klein, empresário dos Beatles na época, que estava ajudando George a produzir o show no Garden, ouviu falar que eu estava com problemas e ofereceu uma medicação que estava utilizando para úlceras. Tomei e, espantosamente, me senti bem na última hora. Cheguei na passagem de som no último minuto e chequei rapidamente algumas coisas que devia fazer; embora tenha uma vaga memória disso, e de tocar no show, a verdade é que na real eu não estava lá, e me senti envergonhado. Não importa quanto tenha tentado racionalizar para mim mesmo ao longo dos anos, eu desapontei um monte de gente naquela noite, acima de tudo a mim mesmo. Vi o concerto [George Harrison – Concert to Bangladesh] em filme apenas uma vez, mas, caso um dia eu queira um lembrete do que posso ter perdido daqueles “bons velhos tempos”, esse é o filme para assistir.

Quando voltei para a Inglaterra, nos recolhemos em Hurtwood e fechamos a porta. Não sai em absoluto por um longo tempo, deixando para Alice fazer todas as compras e cozinhar e, o mais importante, descolar droga”.

[Clapton afirma chegar a gastar o equivalente a atuais 8 mil libras por semana em heroína].

 

“Pattie Boyd and Eric Clapton”

Clapton, George e Pattie

            “Eu ainda via George, que jamais perdeu o hábito de aparecer para mostrar novas canções que houvesse escrito. Ele apareceu em uma noite de Natal, e, quando abri a porta, esguichou uma pistola d’água na minha boca, e estava cheia de conhaque. Por algum tempo tivemos um relacionamento meio áspero, e ele com frequência fazia pequenos comentários sarcásticos fazendo referencia a partida de Pattie. Ele não empurrava nada para baixo do tapete. Ás vezes ríamos, e ás vezes ficava desconfortável, mas era o único jeito de irmos adiante. Certa noite estávamos sentados na sala grande de Hurtwood quando ele disse: “Bem, suponho que seja melhor eu me divorciar dela”, ao que retruquei: “Bem, se você divorciar dela, isso significa que terei que casar com ela!”. Foi como uma cena de roteiro de Woody Allen. Ao longo dos anos, nosso relacionamento transformou-se em uma espécie de fraternidade cautelosa, sendo ele o irmão mais velho, claro”.

 

A Morte do filho Conor

            “No fim da tarde de 19 de março, fui ao Galleria, um edifício na West 57 Street onde eles estavam, pegar Conor para levá-lo ao circo de Long Island. Foi a primeira vez que eu sai sozinho com ele, e tanto fiquei nervoso como empolgado. Foi uma grande noite. Conor não parou de falar e ficou particularmente entusiasmado ao ver os elefantes. Aquilo me fez perceber pela primeira vez ver o que significava ter um filho e ser pai. Lembro de dizer para Lori, quando o levei de volta, que dali em diante, quando Conor estivesse em visita em minha casa, eu queria cuidar dele sozinho.

Na manhã seguinte saí cedo da cama, e estava pronto a cruzar a cidade a pé do meu hotel, o Mayfair Regent,

“Eric Clapton e seu filho Conor”

na Park com a 64 Street, para pegar Lori e Conor e leva-los ao Central Park Zoo, seguindo de almoço no Bicé, meu restaurante italiano favorito. Por volta das 11 da manhã o telefone tocou, e era Lori. Estava histérica, gritando que Conor estava morto. Pensei comigo mesmo: “Isso é ridículo. Como pode estar morto?”, e fiz a mais tola das perguntas: “Tem certeza?”. E então ela contou que ele havia caído pela janela. Ela estava fora de si. Aos gritos. Eu disse: “Vou já pra aí”.

Lembro de caminhar pela Park Avenue tentando me convencer de que na realidade estava tudo bem…como se alguém pudesse cometer um engano a respeito de algo assim. Quando cheguei perto do apartamento, vi uma barreira policia e paramédicos na rua, e passei reto pelo cenário, sem coragem de entrar. Finalmente entrei no prédio, onde a polícia fez algumas perguntas. Peguei o elevador até o apartamento, no 53º andar. Lori estava enlouquecida, falando coisas sem sentido. Aquela altura eu havia ficado muito calma e isento. Me voltei para dentro de mim e me tornei uma daquelas pessoas que apenas auxiliam as outras.

Falando com a polícia e os médicos, confirmei o que havia acontecido sem sequer ter que entrar no cômodo. A sala de estar principal tinham janelas que iam do chão ao teto em uma das laterais, e podiam ser abertas para limpeza. Porém, não havia grades na janela, visto que o prédio era um condomínio e fugia as leis normais de construção. Naquela manhã, o faxineiro estava limpando as janelas e as havia deixado temporariamente abertas. Conor corria pelo apartamento brincando de esconde-esconde com a babá, e, enquanto Lori estava distraída pelo zelador ao alertá-la sobre o perigo, Conor simplesmente correu pela sala, e direto janela afora. Ele caiu 49 andares antes de se chocar com o telhado de um prédio de 4 andares ao lado.

(…)

Uma mulher veio até a mim após a reunião e falou: “Voce acaba de tirar minha última desculpa para tomar um drink”. Perguntei o que ela queria dizer com isso. Ela explicou: “Sempre tive guardada em um cantinho da minha mente a desculpa de que, se algo acontecesse com meus filhos, eu teria justificativa para ficar bêbada. Voce me mostrou que isso não é verdade”. De repente, tive consciência de que eu podia ter encontrado uma forma de transformar a tragédia medonha em algo positivo. Eu realmente estava em condições de dizer: “Bem, se posso passar por isso e manter sóbrio, então qualquer um pode”. Naquele momento percebi que não havia maneira melhor de honrar a memória do meu filho”.

 

Tears In Heaven

            “A mais forte das novas canções era “Tears In Heaven”. Musicalmente, sempre fui assombrado pela canção “Many Rivers to Cross”, de Jimmy Cliff, e desejava tomar emprestada aquela progressão de acordes, mas essencialmente a escrevi para indagar a questão que me fazia desde que meu avo havia falecido. Vamos realmente nos encontrar de novo? Difícil falar dessas canções em profundidade, e por isso são canções. Sua criação e desenvolvimento mantiveram-me vivo através do período mais negro da minha vida. Quando tento retroceder aquela época, recordar a terrível dormência na qual vivia, recuo em pavor. Jamais quero passar por algo assim outra vez. Originalmente, essas canções jamais se destinaram a publicação ou consumo público, era apenas o que eu fazia para não ir a loucura. Tocava-as para mim mesmo, repetidas vezes, modificando-as e aperfeiçoando-as constantemente, até se tornarem parte do meu ser”.

 

Saudações aos Ídolos

            “Olhando para trás minha jornada me levou para perto de alguns dos grandes mestres de minha profissão, e

“Buddy Guy e Eric Clapton”

todos eles dedicaram tempo para me mostrar algo de seu ofício, mesmo que nem estivessem cientes disso. Talvez o relacionamento mais gratificante que eu tenho tido com qualquer um destes grandes músicos tenha sido com Buddy Guy. Em todos os anos que o conheço, ele jamais mudou realmente, e sempre nos mantivemos grandes amigos. No sentido musical, foi ele que me mostrou o caminho a frente, pelo seu exemplo. A combinação de impetuosidade e sutiliza que seu estilo de tocar abrange é totalmente única e permitiu que músicos de rock abordassem o blues a partir de uma perspectiva livre. Em outras palavras, ele toca solto, com sinceridade, sem reconhecer fronteiras.

 

“Stevie Ray e Jimmie Vaughan”

Jamais conheci Steve Ray Vaughan direito. Tocamos juntos umas poucas vezes, mas bastou para permitir liga-lo a Jimi Hendrix em termos de comprometimento. Ambos tocavam com tudo de si, cada vez que pegavam seus instrumentos era como se não houvesse amanhã, e o nível de devoção que ambos mostravam por sua arte era idêntico. Escutar Stevie na noite de sua última apresentação aqui na terra foi quase mais do que eu pudesse aguentar e me fez sentir como se eu não tivesse mais nada a dizer. Ele disse tudo. Seu irmão Jimmie é um dos meus amigos mais chegados e é, na minha opinião, da mesma categoria que Buddy, totalmente único no estilo e livre como um pássaro. Somos companheiros e colaboradores desde os anos 60, e, tanto quanto em termos musicais, tenho com ele uma dívida de gratidão por me colocar na cultura  de carros envenenados. (…). Existem muitos músicos que admirei e

“B. B. King e Eric Clapton”

imitei, de John Lee Hooker a Hubert Sumlin, mas o verdadeiro rei é B. B. Sem dúvida é o artista mais importante que o blues já produziu, o homem mais humilde e genuíno que se poderia desejar conhecer. Em termos de proporção ou envergadura, acredito que se Robert Johnson reencarnou, provavelmente é B. B. King. Talvez valha apena investigar as datas adequadas para ver se essa é ao menos uma possibilidade remota.

Ao falar de músicos e heróis que me emocionaram, tenho que colocar Little Water perto do topo da minha lisat. Ele tocou gaita com Muddy Waters nos primeiros tempos, antes de fazer carreira solo, e foi o mestre do instrumento. Foi também um dos cantores mais vibrantes que já ouvi.

 

“Ray Charles”

Também lamento jamais ter tido a sorte de tocar com Ray Charles. Ele foi, na minha opinião, o maior cantor de todos os tempos, e também era um cantor de blues. O blues é um estilo de música nascido da união entre as culturas folk africana e europeia, concebido na escravidão e criado no delta do Mississipi. Tem sua própria escala, suas próprias leis e tradições, e sua própria linguagem.  (…). Ray Charles captou essa essência e injetou-a em cada estilo musical que tocou, do gospel ao jazz, do rhythm and blues ao country e western. Tive o privilégio de estar em um álbum dele da década de 80, mas toquei separadamente, e ele na verdade não estava lá. Teria adorado poder estar com ele em uma sala e acompanha-lo, enquanto ele tocasse e cantasse, apenas para ter a experiência.

O homem que deixei de fora até aqui é Muddy Waters, e o motivo é que, para mim, ele representou algo muito

“Eric Clapton e Muddy Waters”

mais fundamental. Foi o primeiro dos verdadeiramente grandes bluesman que conheci e com quem toquei, e o primeiro a demonstrar encorajamento e bondade para comigo. Muito antes de nos conhecermos, ele era o mais poderoso de todos os músicos modernos de blues que havia escutado em disco, e a simples força de seu caráter musical teve profundo efeito em mim, na época um estudante novato ouvindo o que veria a ser seu caminho. Mais tarde, até o dia em que morreu, ele foi importante para minha vidam excursionando comigo, me aconselhando, e em geral atuando como figura paterna que jamais de fato tive”.

 

FONTE: Clapton, Eric. Clapton: A Autobiografia.

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