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Competição de poesia cresce em Marília

Aconteceu nesta segunda-feira, dia primeiro de maio, data comemorada como o “Dia do Trabalhador”, a terceira edição do Slam Subterrâneo em Marília. O evento reuniu pouco mais de 200 pessoas na praça do teatro municipal “Waldir Silveira de Mello”, na região central da cidade.

Para quem nunca ouviu falar, os slams são encontros de poesia faladas, onde quem participa deve apresentar seus textos em até três minutos, sem música ou objetos cênicos, contando somente com a performance. Os eventos tornaram-se cada vez mais populares no país, principalmente na capital (São Paulo), o que contribuiu para uma rápida difusão no interior do estado.
Os jurados são escolhidos espontaneamente pelos apresentadores do Slam. Eles julgam e classificam os inscritos para a final, quando quem decide o vencedor é o público presente. A terceira edição do Slam Subterrâneo de Marília, em campanha pela liberdade de Rafael Braga, teve como vencedora a poeta Amanda Maloka, MC no grupo de rap “Ouro d’Mina” de Bauru.

Maicon ficou em terceiro lugar, Amanda Maloka foi a número um e em segundo, Alexandre Tubman

Em todas as apresentações, a poeta tratou com versos fortes e pontuais sobre o machismo, racismo e o empoderamento da mulher, ressaltando a questão racial negra. Como uma aula em praça pública, o Slam contribuiu não somente pela difusão do conhecimento, mas também em ocupar o espaço pouco utilizado pela população.

Entre as batalhas de poesia, o espaço esteve aberto para apresentações livres, como música, por exemplo. A concentração de pessoas estava reunida próximo do semáforo da rua Coronel José Braz com a Sampaio Vidal. O lugar bem centralizado tem influências diretas da cidade.
Muitos pedestres e motoristas espiavam das calçadas e dos semáforos o que estava acontecendo ali. Com olhares curiosos, pareciam questionar, ‘por quê toda aquela reunião para poesia?’. As respostas estavam engatilhadas, os poetas armados, com as palavras preparadas para combater toda e qualquer forma de preconceito e opressão.


Enquanto as batalhas ocorriam, pelo menos três vezes, motoristas que aguardavam no semáforo vermelho se manifestaram sobre o encontro. Foram três gritos: “Fora Dilma”, “Bolsonaro 2018” e “Vão Trabalhar”; em seguida, eles aceleravam os carros nos semáforos verdes e “fugiam” antes de uma possível resposta, como crianças se escondendo em baixo de mesas ao notar que estão sendo inconvenientes.

Essa foi uma das respostas de Marília ao Slam, uma das maneiras de tentar reprimir a aglomeração de pessoas que discutia sobre preconceito, intolerância e violência policial. Comportamento reproduzido e perpetuado pelos mesmos motoristas que tentaram de alguma forma atacar o público e poetas. Para os incomodados, é bom se acostumar com a presença da juventude, da filha preta da empregada em evidência, seja na universidade ou em praça pública.
Outras edições mensais do Slam estão programadas para serem realizadas em Marília. Para outras informações ou acompanhar os eventos, a organização divulga toda programação no Fanpange do Facebook, “SlamSubterraneo”. Por hora, sem mais,“racistas otários nos deixem em paz”, (Racionais MCs, Holocausto Urbano, 1990).

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